Compaixão

25.08.08 by Dani

Aprendi hoje que a disciplina e o limite, se usados com amor, educam.

Sigo tentando educar a mãe e a filha, e mais aprendo com elas.

Aprendo o que não fazer, o que não dizer. Aprendo como eu não quero ser.

Outro dia ouvi uma mãe recém-parida dizer que seu sentimento naquele momento, com o filho nos braços, era de que nunca mais estaria sozinha.

Pobre mãe a que busca no filho a companhia para sua solidão.

Muito prazer, quem sou eu?

17.08.08 by Dani

Sabe aquela frase usada para designar uma coisa única, sem cópia? Filha única de mãe solteira. Então, muito prazer.

Quando me olho no espelho não reconheço todos os traços. Os que reconheço não gosto. Mostram uma semelhança que eu não quero para mim.

A outra parte eu não sei. Nunca conheci e pouco sei. Nenhuma foto, ninguém, nunca.

Pouco conheço da minha própria história. E a parte que sei tem tantas mentiras inventadas por mim mesma que as vezes não me lembro se é mesmo verdade.

Fui uma criança feliz. Tive amor, muito. Casa, família, irmãos que não eram meus, pais que eram dela.

Adolescente confusa. Envergonhada por não saber tudo, mas por saber o suficiente para sentir vergonha.

Me apaixonei e amei muito. Tanto que sufoquei. Sofri sozinha. Tive colo. Mas ela fazia minha dor ainda maior. Ela queria que eu sentisse uma dor que era dela.

Quando pude cheguei perto e a convivência se tornou impossível. Ela era detestável. Fugi com medo de perder o pouco amor que sentia, transformado em desprezo.

Dei a volta por cima. Quebrei a cara.  Pedi favor. Usei muitos. Não agradeci. Me arrependo.

Vivi uma vida que não era minha. Inventei alguém que não era eu. Me libertei. Casei e pari.

E hoje me dedico a passar a limpo o meu rascunho.

Cada um com os seus fantasmas

17.08.08 by Dani

Houve um tempo em que os fantasmas dela me assombravam.

A loucura dela era minha. Ela surtava, eu me encolhia.

As vezes o problema nem era comigo, mas acabava sobrando para mim.

Sofri por anos a cada despedida, quando ela ia e me deixava. A separação era dolorida.

Foram anos longe, onde ela se tornou uma pessoa que eu não conheço.

E então as despedidas se tornaram alívios. A distância me protegia, mas não muito.

Hoje ela está perto.

Já tive medo, muito. Já sofri. Já quis me esconder. Meu príncipe encantando me defende de suas maldades sempre que é preciso.

E eu aprendi a me defender sozinha, e não deixo que os fantasmas dela me assombrar.

Mas as sombras estão por aí, me espiando, me fazendo perder o sono, doendo nas costas.

Era uma vez…

11.08.08 by Preta

Passei minha infância inteira superestimando minha família: papai, irmãs e principalmente minha mãe. Perdi a conta das vezes que reafirmei com ela (e comigo mesma) o quanto foi importante que ela me castigasse fisicamente, porque isso fez de mim uma pessoa “melhor”. Aceitei por muitos anos, resignada e grata, sua áspera e ácida presença em minha vida, e por muito tempo ela foi o meu modelo de amor.

Tantos anos negando o óbvio, totalmente desnorteada num mar revolto de não sei bem o quê.

Minha mãe sofreu o indizível na infância, e passou adiante, inconsciente, adormecida na depressão.

Como o resto da família, ela tem o hábito de colecionar casos mal resolvidos, conservando os problemas com panos quentes, e exibindo-os com orgulho nos momentos mais inoportunos. E quando a coisa escapa ao controle, usa todo o tipo de coerção: chantagem, ironia, mentira, o que estiver à mão. Antigamente, usava um chinelo ressecado, um cinto, um pedaço de qualquer coisa, …o que estivesse à mão.

A bem dizer, nossa relação foi sempre altamente aditivada. Nunca nada fluía normalmente. Estávamos sempre tropeçando na sujeira que cultivávamos debaixo do tapete. Num desses tropeços, eu não fiz questão de ajudar ninguém a levantar, e voei, sem olhar pra trás.

Estava cansada demais pra representar. Saí de cena, sem deixar endereço ou telefone.

Agora estou aqui, colocando os tapetes ao sol, lavando o chão com suor e lágrima, secando as feridas.

Poupando a grana da terapia (ou) Traumas de infância

11.08.08 by Preta

Tinha uma escada toda em cimento grosso, em L, que eu descia todos os dias pra ir à escola. Me esforçava pra descer aquilo com muito cuidado; aquela escada era horrível. Eu tinha 7 anos.

Um dia vez minha mãe, com toda a paciência que Deus não deu pra ela, me deu um safanão quando faltavam 3 degraus pra eu terminar de descer a escada; eu caí. Meu joelho ficou tão feio (com a pancada e a areia que entrou), que eu tive de fazer curativo na farmácia por um mês ou mais, e custei a conseguir dobrar a perna de novo. Tenho a cicatriz até hoje.

Detesto minha mãe. Detesto escadas.

O limite do perdão

11.08.08 by Dani

Quantas vezes é possível perdoar a mesma pessoa?

Depende.

O perdão depende da intenção. Depende do reconhecimento da culpa do outro. Depende da esperança depositada.

Um pedido de perdão, com intenção, é praticamente irrecusável. E então generosamente perdoamos, apostando na lição aprendida.

E perdoar aquele que não reconhece seu próprio erro?

Neste caso o perdão requer mais do que generosidade. O perdão requer a crença de que é possível, sempre, entender, melhorar, superar e seguir em frente.

Mas quantas vezes é possível exercer este perdão altruísta? Qual é o limite do amor?

Para ela meu perdão se esgotou.

Meu herói

10.08.08 by Dani

Quer saber quem é o bonitão com a cabeça na mão?

Muito prazer, Perseu.

Do início

8.08.08 by Dani

Duas filhas aprendendo a ser mães.

Duas mães aprendendo a amar. Começando do início.

Lição básica: amar para ser amado. Dar para receber. Respeitar e dar-se o respeito.

Ninguém nasce sabendo. Pior é passar por esta existência ignorante.

Amor de mãe

8.08.08 by Dani

Heroína, amiga, companheira, modelo, exemplo, segurança, proteção, carinho, ternura, alegria, sorriso, afago, conselho, colo, paciência, cumplicidade, orgulho, aconchego.

Todas essas palavras tem um único sinônimo: mãe.

A mãe ideal, aquela de comercial de margarina, sempre linda e sorridente passando a “delícia” no seu pão quentinho.

Se alguém aí tiver uma mãe assim, me avisa que eu me candidato para adoção.

Eu adoraria um pouco de lucidez e experiência para me dar colo e conselhos em alguns momentos da vida. Mas a minha sempre foi como uma “blind date”, eu nunca sabia o que ia encontrar.

Se você chegou aqui é porque deve conhecer o tema.

Somos duas. Somos mães. Eu e ela aprendo “na marra” a dor e a delícia de ser mãe, com dura tarefa de passar a lição a limpo.

Ninguém me disse que seria fácil.